Marketplaces para Artesanato em 2026: Substitua o Elo7
Mercado Livre, Shopee e Amazon em 2026: taxas reais, regras atualizadas e qual plataforma faz sentido para substituir o Elo7 no artesanato.

Quem pode substituir o Elo7 de verdade
O Elo7 encerrou as operações no Brasil em novembro de 2025, e milhares de artesãs que dependiam da plataforma ficaram sem canal de venda do dia para a noite. As alternativas existem, mas cada uma tem lógica, custo e público diferente. Este artigo compara Mercado Livre, Shopee, Amazon e Shein com dados atualizados até julho de 2026, incluindo taxas reais e o que mudou nos últimos meses.
O que o Elo7 cobrava antes de fechar
Vale ter esse número na cabeça antes de comparar qualquer alternativa. O Elo7 cobrava 18% sobre o valor total do pedido na exposição padrão e 20% na exposição máxima, mais R$ 3,99 fixos por item vendido. E a base de cálculo incluía o frete, o que engordava bastante o percentual real sobre o valor do produto.
Muita artesã que usava o Elo7 achava a taxa alta. Olhando os números de 2026, vai perceber que nenhuma das alternativas cobra menos do que isso. O que muda é o que vem junto com a taxa: tráfego, logística, visibilidade, tipo de comprador.
Mercado Livre em 2026: maior volume, maior custo
O Mercado Livre continua sendo o maior marketplace do Brasil em tráfego e volume de vendas. A plataforma anunciou investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, 50% acima do ano anterior, com expansão logística em todas as regiões. O lado positivo disso para artesãs é que o alcance cresce. O lado que ninguém menciona é que a concorrência de produtos industrializados também cresce junto.
As comissões em julho de 2026 ficam entre 10% e 19% conforme categoria e tipo de anúncio, com custos adicionais se você usar frete subsidiado ou antecipar recebíveis. Para peças artesanais, a categoria normalmente aplicada puxa o percentual para a faixa superior desse intervalo.
Tem mais uma coisa que mudou em 2026 e pouca gente fala abertamente. O Mercado Livre endureceu as regras de fulfillment: estoque parado por mais de seis meses no serviço Full gera cobrança extra, e divergência entre as medidas declaradas do produto e as medidas reais resulta em penalização automática. Para artesãs que vendem peças com dimensões variáveis, isso é um ponto de atenção concreto.
Para quem está saindo do Elo7 com uma base de clientes estabelecida e peças com boa foto e descrição, o Mercado Livre é o canal com maior potencial de volume. Mas exige gestão. Não é só cadastrar produto e aguardar.
Shopee em 2026: crescimento rápido, taxa crescendo junto
A Shopee foi o app de compras mais baixado no Brasil em abril de 2026, com Mercado Livre em segundo lugar. Em termos de tráfego de novos usuários, a plataforma é a que mais cresce no país. Isso é relevante para artesãs que querem alcançar um público que ainda não conhece o trabalho delas.
A estrutura de taxas em julho de 2026 funciona assim: taxa fixa de R$ 4 por item vendido, mais comissão de 14%. Quem entra no Programa de Frete Grátis paga mais 6% por venda. O take rate total chega a cerca de 20% para quem usa o frete subsidiado, que é o modelo que a plataforma empurra ativamente.
A Shopee também expandiu a malha logística própria em 2026, com coleta e entrega diretamente pelo sistema deles em mais regiões. Para artesãs sem acesso fácil a transportadoras, isso pode ser uma vantagem operacional real. O problema é que a plataforma tem um perfil de comprador muito orientado a preço baixo, e produtos artesanais de maior valor percorrem um caminho mais difícil lá dentro.
Peças de menor ticket, produção seriada ou com apelo funcional claro (porta-copos, sachês, embalagens decorativas) têm mais chance de converter na Shopee do que peças únicas de alto valor. Saber disso antes de cadastrar o catálogo inteiro economiza tempo e frustração.
Amazon em 2026: a plataforma para quem já tem preço
A Amazon segue entre os dez maiores marketplaces do Brasil, com estrutura logística própria consolidada. Em 2026, a plataforma subsidiou parte dos custos do FBA no país: itens acima de R$ 100 ficaram isentos de tarifa logística, e produtos abaixo desse valor pagam taxa fixa em torno de R$ 5. Para peças artesanais com ticket médio mais alto, o FBA se torna financeiramente interessante.
Existe também o Amazon Handmade, a seção específica para produtos artesanais. Globalmente, o Amazon Handmade aplica taxas de referência de 15% ou US$ 0,30 por transação e não cobra mensalidade após aprovação. O processo de aprovação existe justamente para filtrar produtos que não são feitos à mão, o que cria um ambiente menos competitivo com industrializados do que o catálogo geral da Amazon.
O perfil de comprador da Amazon no Brasil é diferente do da Shopee. Há mais tolerância a preços maiores e mais valorização de marcas com apresentação profissional. Para artesãs que já trabalham com peças de alto valor percebido e têm fotos e descrições bem estruturadas, a Amazon faz mais sentido do que para quem está começando a organizar o negócio.
A desvantagem é a curva de entrada. A plataforma tem mais exigências burocráticas, a aprovação no Handmade não é imediata e o algoritmo de busca interno favorece produtos com histórico de avaliações. Quem chega do Elo7 sem histórico na Amazon começa do zero, sem a vantagem de reputação que tinha na plataforma anterior.
Shein: por que não faz sentido para artesanato autoral
A Shein aparece em comparativos de marketplaces brasileiros e tem planos de expansão no país, mas o modelo dela não serve para artesanato autoral. A plataforma é construída em torno de moda e acessórios com giro rápido, volumes altos e preços muito baixos. A Shein se destaca em roupas e calçados, segmento onde compete diretamente com fast fashion.
Colchas de crochê, bordados emoldurados, cerâmica decorativa e peças autorais não têm lugar estrutural dentro da lógica de negócio da Shein. O comprador que vai até lá não está procurando exclusividade nem está disposto a pagar por tempo de confecção. Mencionar a Shein como alternativa ao Elo7 para artesãs é, na prática, recomendar um canal que vai subprecificar o trabalho ainda mais do que o problema original.
Isso não é preconceito com a plataforma. É reconhecer que cada canal tem um perfil. E o perfil da Shein não é artesanato.
Taxas comparadas: julho de 2026
Para facilitar a comparação direta, aqui estão os dados consolidados das quatro plataformas com base nas informações disponíveis até julho de 2026:
| Plataforma | Comissão base | Taxa fixa por item | Custo adicional | Ticket mínimo recomendado |
|---|---|---|---|---|
| Mercado Livre | 10% a 19% | Não | Frete subsidiado e fulfillment têm custo extra | R$ 60 |
| Shopee | 14% + 6% (frete) | R$ 4 por item | Take rate total chega a ~20% | R$ 40 |
| Amazon (geral) | ~15% | Não | FBA isento acima de R$ 100; ~R$ 5 abaixo | R$ 100 |
| Amazon Handmade | 15% ou US$ 0,30 | Não | Sem mensalidade após aprovação | R$ 80 |
| Elo7 (encerrado) | 18% a 20% | R$ 3,99 por item | Base incluía frete | Referência histórica |
Os números mostram que não existe plataforma com custo menor do que o Elo7. O que muda é o volume de compradores potenciais, a qualidade do tráfego e a infraestrutura logística disponível. Quando a precificação não absorve esses percentuais, qualquer marketplace vira um canal para vender no prejuízo.
MEI, CNAE e Inscrição Estadual: o que precisa estar em ordem
Antes de cadastrar conta em qualquer dessas plataformas, há três pontos burocráticos que travam muita artesã na prática. O primeiro é o CNAE. Para vender produtos físicos online como MEI, o CNAE cadastrado precisa incluir comércio varejista, ainda que artesanato seja a atividade principal. Sem isso, a venda em marketplace pode gerar inconsistência fiscal.
O segundo ponto é a Inscrição Estadual. Mercado Livre e Amazon exigem Inscrição Estadual ativa para liberar os serviços logísticos próprios, e a Shopee passou a exigir o mesmo para uso da malha de entrega delas. Sem esse cadastro, a conta funciona com restrições que limitam alcance e visibilidade. A boa notícia é que MEI pode obter Inscrição Estadual incluindo um CNAE de comércio varejista como atividade secundária.
O terceiro ponto vale para quem também revende materiais ou produtos de terceiros: a mercadoria precisa ter nota fiscal de entrada ou importação formal. Isso não se aplica às peças que você produz, mas é relevante se o modelo de negócio envolver qualquer tipo de revenda.
Esses três pontos são resolvíveis. Nenhum deles é motivo para não começar, mas ignorar qualquer um deles cria problemas que aparecem exatamente quando a conta está crescendo, que é o pior momento para lidar com burocracia.
Qual plataforma faz sentido para o seu tipo de peça
A resposta direta é: depende do ticket médio e do perfil da peça, não da plataforma que parece mais fácil de entrar.
Peças entre R$ 30 e R$ 80, com produção mais rápida e apelo funcional, funcionam melhor na Shopee. O tráfego é alto, o comprador está acostumado a descobrir produtos novos e a estrutura de frete simplifica a operação. A desvantagem é que o mesmo ambiente que facilita descoberta também facilita comparação de preço com similares industrializados.
Peças entre R$ 80 e R$ 200, com diferencial visual claro e fotos bem produzidas, têm mais chance no Mercado Livre. O volume de buscas é maior, o algoritmo privilegia anúncios com histórico de vendas e avaliações, e o comprador tem um perfil um pouco mais amplo em termos de faixa de preço aceita. Para quem usa ferramentas de IA para qualificar as fotos de produto, esse canal recompensa diretamente esse investimento de tempo.
Peças acima de R$ 150, com posicionamento mais cuidadoso e nicho definido, merecem uma tentativa no Amazon Handmade. O processo de aprovação é uma fricção real, mas cria um ambiente com menos competição de chinelos de borracha e camisetas impressas, que é o padrão do catálogo geral.
Uma ressalva importante: ter site próprio de e-commerce e complementar com marketplaces reduz a dependência de uma única plataforma e mantém os dados de clientes com você. O fechamento do Elo7 foi uma demonstração prática do que acontece quando toda a operação de vendas está dentro de uma plataforma que você não controla. O que saiu do Elo7 para outro marketplace único está exposto ao mesmo risco.
Isso não significa que você precisa criar um site antes de vender. Significa que a estratégia mais sólida combina ao menos dois canais, e um deles, eventualmente, deveria ser próprio. O Guia de Marketplaces do Contando Estrelas detalha esse processo de transição com o passo a passo de cadastro em cada plataforma, incluindo as exigências documentais de 2026.
A escolha do canal é estratégica, mas ela começa com a precificação. Se o preço da peça não comporta 15% a 20% de comissão mais frete mais embalagem e ainda sobra margem, nenhuma plataforma resolve esse problema. O canal certo para uma peça subprecificada é nenhum. Entender por que artesãs estão cobrando mais em 2026 é o passo anterior a qualquer decisão de canal.
Perguntas frequentes
Qual marketplace substitui melhor o Elo7 para artesanato em 2026?
Mercado Livre e Shopee são as alternativas com maior tráfego no Brasil em 2026. Mercado Livre é mais indicado para peças com ticket entre R$ 80 e R$ 200, enquanto Shopee funciona melhor para produtos entre R$ 30 e R$ 80 com perfil funcional. O Amazon Handmade é uma terceira opção para peças acima de R$ 150 com posicionamento diferenciado, mas exige aprovação prévia como artesão.
Quanto o Mercado Livre cobra de comissão para artesanato em 2026?
As comissões do Mercado Livre variam entre 10% e 19% dependendo da categoria e do tipo de anúncio. Para a maioria das categorias relacionadas a artesanato, a comissão fica na faixa superior. Há custos adicionais para uso do serviço de fulfillment (Full) e para frete subsidiado. A partir de 2026, estoque parado por mais de seis meses no Full gera cobrança extra.
A Shopee é boa para vender artesanato?
Depende do tipo de produto. A Shopee tem alto tráfego e é o app de compras mais baixado no Brasil em 2026, mas o perfil do comprador é muito orientado a preço baixo. Peças funcionais, de menor ticket e produção mais rápida tendem a converter melhor do que peças únicas ou de alto valor percebido. A taxa total pode chegar a cerca de 20% quando incluída a taxa do Programa de Frete Grátis.
MEI pode vender em Mercado Livre, Shopee e Amazon?
Sim. MEI tem amparo legal para vender nessas três plataformas. É necessário ter CNAE de comércio varejista cadastrado, mesmo que artesanato seja a atividade principal. As três plataformas também exigem Inscrição Estadual ativa para liberar os serviços logísticos próprios. A Inscrição Estadual pode ser obtida incluindo um CNAE de comércio como atividade secundária no cadastro MEI.
Vale a pena usar mais de um marketplace ao mesmo tempo?
Sim, especialmente após o fechamento do Elo7. Depender de uma única plataforma expõe toda a operação ao risco de encerramento ou mudança de regras. A estratégia mais sólida combina dois marketplaces e, a médio prazo, inclui um canal próprio onde os dados dos clientes ficam com você. Começar com Shopee e Mercado Livre simultaneamente é o modelo mais indicado para artesãs que estão construindo presença online.



